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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Casual aplicado ao cinema


(Pat Holden, 2009, UK)

Awaydays, O Filme Casual


Na linha de This is England, o filme que estreou recentemente entre nós e que já alguns meses tinhamos recomendado. Surge agora este Awaydays. Baseado no livro de Kevin Sampson, que retratava fielmente a cena Casual, que surgiu no final dos anos 80 em Inglaterra. Neste novissimo Awaydays, um grupo de amigos reune-se á volta de futebol, roupa desportiva, música, copos e alguma porrada com grupos rivais.

Enfim, estavamos nos anos 80, Margaret Tatcher governava com a sua mão de ferro e os jovens tinham-se de entreter com alguma coisa. Vivia-se muito na rua e nela havia códigos próprios que surgiam diariamente entre os jovens ingleses. O punk ardeu rápido, o mod revival já era e o Casual nascia nesse preciso momento, inspirado nas viagens dos apoiantes/supporters ás competições europeus de futebol das equipas inglesas que traziam para as ilhas o último grito das marcas desportivas italianas e do norte da europa.

A banda sonora está repleta de bandas conhecidas... Esperamos notícias sobre a estreia deste filme no nosso pais, em data ainda desconhecida. Este Awadays estreia no Reino Unido no próximo dia 22 de Maio.

Soul aplicado ao cinema


(Alan Parker, 1991, UK)

Originalmente, foi uma versão secular da música gospel. O soul era a principal forma de black music dos anos 1960 e 1970. No princípio era considerado pelos músicos de jazz como sinônimo de música autêntica e sincera. Durante sua evolução nos anos 1960, o soul representou uma fusão entre o estilo de canto gospel e os ritmos funk. Nos anos de 1950, usou-se o termo funk para designar uma forma de jazz moderno, que se concentrava no “suingue”; nos 1960, designou tanto o rhythm ‘n’ blues como a música soul, principalmente as gravações de James Brown, o “Soul Brother Number One”.

Muitas vezes uma forma de balada, o gênero tinha como tema central o amor. A música soul identificou-se intimamente com diversas gravadoras independentes: Atlantic, Stax/Volt e Motown; cada uma com sua equipe de intérpretes e um som identificável, associadas a uma localização geográfica e um cenário musical, como Detroit, Filadélfia, ou os estados sulistas dos Estados Unidos. A música soul foi importante politicamente durante os anos de 1960, paralelamente ao movimento dos direitos civis. Entre os cantores de destaque, incluíam-se, nos anos de 1950, Sam Cooke e Jack Wilson; nos anos de 1960, Bobby Bland, Aretha Franklin, Otis Redding e Percy Sledge, cujo single “When a Man Loves a Woman”, de 1966, foi a primeira gravação soul sulista a cruzar estilos e atingir simultaneamente o topo das paradas de sucessos de rhythm ‘n’ blues e pop.

No final dos anos de 1970, a música soul deixou de ser um gênero identificável, send absorvida gradualmente por diversas formas híbridas de black music e dance music. Porém, seus principais intérpretes e discos ainda possuem um número considerável de admiradores, como indicou a venda dos álbuns de compilações da música soul e o sucesso internacional do filme The Commitments (Alan Parker, 1991), com sua trilha sonora de covers da música Soul.

Fonte: Vocabulário de Música Pop, Roy Shuker, Editora Hedra (1999)

Hooliganismo aplicado ao cinema


Quando se escuta a palavra "hooligan" o que vem a sua mente? Aposto que você pensou em futebol e violência. Mais a vida desse tipo social já gerou alguns filmes que mostram que seu cotidiano vai além desse binômio. 

A difusão massiva do termo hooligan nasceu na Inglaterra junto com a Copa Mundial de futebol de 1966, quando a mídia passou a se referir assim aos fãs de futebol "mais animados". Aqui na América Latina temos o termo correlato barra bravas, surgido na Argentina no começo dos anos 60, cunhado pela mídia e inicialmente chamado de barra fuerte. Outro termo usado para nomear os ardorosos fãs de fotebol é ultras. Esse surge na Itália dos anos 60, mas só começa a ganhar notoriedade na década de 80. O termo ultras por vez possui conotação mais política e é usado por torcidas que se identificam desde a extrema direita até a extrema esquerda.

Em alguns lugares da Europa os fanáticos por futebol vieram a criar subculturas dentro de subculturas, como o caso do skinhead que herdou o gosto por futebol de seu avô hooligan e os casuals dos anos 70 na Inglaterra, surgidos dentro do hooliganismo e amantes de roupas esportivas, como os casacos e tênis da Adidas.

O fato é que o tema foi apropriado pelo cinema e gerou várias películas, produzidas desde 1988 até 2009. The Firm, de 1988, foi feito para a TV e refilmado para o cinema em 2009, infelizmente não achei vídeo do original. Lixo Jovem fez uma listinha para compartilhar com seus leitores os filmes que retrataram o cotidiano do fã de futebol. Se você quer ir além da locadora procure o livro Entre os Vandalos, escrito por Bill Buford, criador do terno "hooliganism". O livro foi publicado no Brasil pela Companhia das letras.


I.D (1995)



The Football Factory (2004)



Green Street Hooligans (2005)



Rise of The footsoldier (2007)



Cass (2008)


Awaydays (2009)


The Firm (2009)

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Electro de Cara Nova


por
Luiz Pareto



Electro, esse velho estilo que entrou e saiu de moda mais de uma vez e que recentemente voltou a ser tocado com mais frequência nas pistas do mundo todo. Ele nunca sumiu de vez realmente, pois alguma forma de electro-funk continuou sendo tocada em cidades como Detroit, Miami e até Rio de Janeiro. Mas de onde surgiu esse gênero?


Pode ser meio difícil você tentar dizer com exatidão qual foi o primeiro disco de electro ou quem foi seu criador, mas uma coisa é certa, o gênero deve muito a bandas como Kraftwerk (especialmente os trabalhos da década de 80) e Cybotron, e também a um produtor visionário do bairro Queens em N.Y. chamado Marley Marl, que acidentalmente inventou o sampler de drum machine e começou a fazer produções mais próximas do hip hop seguido por bandas como Mantronix, Soulsonic Force e Afrika Bambaata com sua popular "Planet Rock". A cultura do hip hop com suas danças cheias de movimentos de mímica ('breaking' ou 'breakdance') e estilo de vestir foram de alguma forma incorporadas à cena de electro. Pode-se dizer que o electro fez a ponte perfeita entre o hip hop e o techno que surgiu em 87 (Detroit).


Porém mais tarde, com a popularização da base funk, o electro deixou de ser visto como gênero eletrônico de qualidade. Passou um tempo até que em meados dos anos 90 rolou um novo hype em torno do estilo. A banda AUX 88 (na época já com 10 anos de estrada) foi apontada pelo NME como responsável pelo revival do gênero, mas os integrantes diziam que não era isso que tinham em mente e que a coisa era mais para acordar as pistas que estavam dominadas por um tipo de techno frio e sem alma. Pregavam a volta do elemento negro na música techno presente nos trabalhos dos criadores do estilo e também nas faixas do Underground Resistence (que em 98 lançou um álbum repleto de electro) de Mad Mike. Bandas como Dopplereffekt, Flexitone e Detrechno (assim como os selos Direct Beat e o ingles Clear) também foram importantes nessa época com suas produções de electro/techno-bass.



Nos últimos anos, a inglaterra também vem sendo berço de produtores desse estilo como Carl Finlow de Leeds (que também produz tech-house pelo selo 20:20 vision) e seu criativo projeto 'Voice Stealer'. O projeto de dub house/deep house 'Swayzak' também anda soltando faixas de electro. Enfim, o gênero continua por ai e está até bem forte em cidades como Amsterdam e Detroit. Mas e o Brasil nisso tudo? Como é que fica?

Bom, o electro rolou por aqui também de uma forma ou de outra. Os DJs tocaram bastante "Planet Rock" e faixas do Mantronix na década de 80 e em 96 quando o gênero voltou, uma festa em Sampa garantia longas sessões de electro misturadas a outros tipos de breakbeat. Era a finada festa 'Breakin'' que Mau Mau e eu faziamos semanalmente (96/97) e que continuei fazendo sozinho até meados de 99 sempre com DJs convidados como Alex U.M., Danny Junkie e George Actv. No Rio de Janeiro, fora o formato pop do funk (super influenciado pelo miami bass) que rola na periferia, tem também o DJ Mauricio Lopes, que desde os tempos da festa 'Oops', mistura bastante electro com techno para o delírio de seus seguidores. Ricardinho N.S. também vem fazendo o mesmo. Pelo visto, o estilo não vai sumir tão cedo e deve mesmo é continuar se reformulando e evoluindo.





Fonte

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Power Pop

"Power pop is what we play"
Pete Townshend

Power Pop por Roy Shuker

É considerado frequentemente como uma invenção pós-punk, um estratagema de marketing das grandes gravadoras. Mas, na verdade, o termo power pop possui uma história bastante longa, sendo aplicado a diversos artistas e grupos desde a década de 1960.

A origem musical para quase todo o power pop são os Beatles, que fixaram o estilo. Atribui-se o desenvolvimento do gênero nos anos de 1960 a grupos como The Who, The Kinks e Move, que apresentaram melodias agressivas e guitarras distorcidas e barulhentas (o “power”). Entre as principais bandas norte-americanas de power pop do mesmo período, destacam-se The Byrds (que se inspirou nos Beatles), Tommy James and The Shondells e Paul Revere and The Raiders (essas duas últimas bandas são também associadas ao bubblegun).

Alguns exemplos posteriores do Power pop britânico são Badfinger, Nick Lowe, Slade e Sweet (essas duas últimas bandas são muito associadas ao glam/glitter). Entre as norte-americanas, destacam-se Raspberries e Big Star, no início dos anos de 70, e Cheap Trick e The Knack, na década seguinte. Todas essas bandas foram muito influenciadas pela produção anterior aos anos de 1960, produzindo “um pop espirituoso, repleto de refrões vigorosos” (Erlewine et alii: 1995). Durante a década de 1980, diversas bandas britânicas e norte-americanas de new wave e alternativas incorporaram elementos do power pop (por exemplo, o Replacements, The Stone Roses). As influências também estão presentes no som de Dunedin (principalmente, The Chills) e no brit pop contemporâneo.



Fonte